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sábado, 7 de março de 2015

Minha Terra de Fibra

Uma cidade pequena no pé do morro
entre dois riachos á encobrir o pé.
De muitas terras e poucos senhores
num mando e desmando sem fé.
Tanto tempo se passou e nada passou,
nada mudou e nem mesmo a saudade
daquilo que ficou onde nada mudou.
Uma terra bonita, terra de fibra.

Minha terra tem sofrido muito
por não ter ao seu lado um rio imponente.
Mas em algumas léguas de distância
um importante rio leva o progresso.
É uma pena ver esta minha terra
que cresceu fora daquela margem.
Onde o fluido passa a quilômetros por hora
e todos que a deixam, logo avistam de longe.

Mas o Rio Pardo é um grande rio e bonito
esverdeado como a mata em seu curso.
Carregando sempre alguma coisa lá de cima
e levando sempre alguma coisa lá para baixo.
De onde vem o enorme rio e bonito?
E para onde leva tudo o que á ele se une?
Azar de poucos que nele se perdeu
sem chance alguma de um nada alcançar.

Nas suas águas verdes e profundas
com algumas dezenas da sua largura,
o Estreito logo abaixo ela vem encontrar.
E barradas por um amontoado de pedras.
de uma pequena cachoeira à esquerda
e uma enorme vazão à direita,
toda sua abundância vem ali despejar.
É assustador! Mas muito perto me vi aproximar.

Tremendo e embalado pelo fascínio,
com minha mão naquelas águas pude eu tocar.
Alucinado fiquei e depois de muito arrepio,
imaginei toda sua sede alguém logo alcançar
querendo então mais um para consigo levar.
Após a passagem pelo Estreito
vai em muitas e muitas pedras se debater.
É! Azar daqueles que nela se perdeu.

Coisas boas eu também vivi ali:
Entre elas, quando em uma roda de amigos estava
na calçada em frente à casa de meus pais.
Era anterior de um churrasco por dias marcado.
num rancho à beira deste Rio Pardo.
E para aquele domingo de manhã, só euforia.
Falamos que lá, à noite passaríamos,
e buscar a família ao amanhecer voltaria.

Depois de um desafio feito pelas esposas
que também atrás de nós iriam.
É assim? Então vamos! Para elas falamos.
Olhando um para o outro veio à surpresa
quando em coro elas concordaram.
Rimos. Pois era somente brincadeira,
mas juntamos as tralhas e carregamos.
e acabamos assim nos preparando.

Com toda nossa família partimos.
Já era noite e logo estavam dormindo.
E nós na varanda ainda ficamos
á escutar somente o passar das águas
Depois de copos cheios e sorrisos abertos.
deitamos já um pouco atordoados.
Homens pra cá, mulheres e crianças pra lá.
Estava tão divertido. Difícil até mesmo de acreditar!

De madrugada aos poucos levantamos
para de novo ouvir as águas passar.
Tudo ainda escuro e com o soar dos ventos
que na cúpula das árvores veio agitar.
O som da cachoeira se ouvia de perto,
mas o silêncio de tudo ainda permanecia.
E o ar puro com o frescor da madrugada
era o que nossas mentes mais queriam.

Tomamos de novo um café da manhã
quando abrimos mais algumas cervejas.
Para mim foi tudo maravilhoso
começar um dia com tanta certeza!
Que a amizade é tudo na vida,
e a confiança não vem de um dia.
Se constrói com passos lentos e firmes,
de luta á luta, de sol á sol e com alegria.

Com o raiar do dia, mais foram chegando.
Meus pais nunca em nada puderam faltar!
O que seria eu sem eles?
Desfrutar das coisas sem agraciar?
Mas venho agora vos lembrar
que de uma brincadeira e desafio aceito,
coisas sadias se podem realizar
e assim, um belo domingo terminar.

E de um grande rio e bonito,
Essas coisas boas para lembrar.
Esbaldamos como num paraíso
com os sons das águas e das matas.
Buscando alívio para uma vida
de muita paz e harmonia é muito bom estar.
Um dia para esta terra quero voltar,
embora não sei para qual lugar.

Mas desses dias hora contado
muito tempo já havia passado.
E hoje tenho na lembrança
a saudade junto á vontade.
Que por várias vezes desenhei em minha mente,
todo meu sonho ali realizar.
E sabia que muitos mais ficariam contentes
de ver tudo aquilo e poder desfrutar.

Como posso esquecer uma terra onde nasci,
cresci e vivi, boa parte da minha vida.
De um lugar rodeado de encantos
que ainda hoje guardo na memória
as recordações de uma terra próspera,
em meio a tantos interesses individuais.
Uma terra desejada mais para os outros
do que para mim mesmo.

Uma terra onde sonhei tudo a borbulhar
e ainda hoje, não há como deixar de pensar.
Ali quero descarregar meus anseios, meus sonhos
e desejos que ainda afloram por esta terra.
Tapiratiba carrega em seu brasão
os frutos de uma terra fértil.
E em seu hino, um grito de guerra
que ecoa na voz de tão poucos.

Minh`alma vibra por esta libra
Terra de fibra: Tapiratiba!


                   Sertãozinho, 29 de setembro de 2010.

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