Eu sempre caminhei naturalmente por todos os lugares onde passei. O meu tempo não tinha pressa. Eu não tinha pressa. O tempo iria me trazer tudo aquilo que era meu. Pelo menos era assim que eu pensava. Mas o que eu pensava? Eu não sabia. Conhecia tão pouco daquilo que eu conhecia. Nunca olhei por cima das montanhas e menos ainda, nunca imaginei o que poderia haver por detrás delas. E assim meus passos foram se fazendo. E assim meus rastros foram ficando. Mas por onde andei eu não sei o que deixei, e o que ficou não sei para quem ficou. Hoje o tempo está passando tão rápido e eu, cada vez mais sem pressa. Mas quero caminhar tão depressa hoje para ser muito mais rápido que o tempo. Quero a cada dia surpreender o tempo. Quero que o dia de hoje não amanheça como os outros dias. Hoje o dia passará não como os outros. Quero esse meu dia e a cada dia, tão mais especial que os outros dias, que às vezes chego a pensar que somente as vinte e quatro horas não bastam, já que o meu tempo é medido por dia. Para quê a pressa de novos amanhecer. Às vezes quero que o tempo pare no tempo e me dê o tempo suficiente para buscar aquilo que é meu: Aquilo que o tempo não me deu.
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